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A vida sem empregada (Parte I: Teoria)

Posted in Independência Doméstica

vida sem p1 mini

Como dissemos no artigo sobre os aliados da independência doméstica, ser menos dependente de empregada não significa necessariamente fazer todas as tarefas da casa sozinha. Significa tomar as rédeas da rotina da sua casa e definir um esquema de trabalho que pode sim incluir o auxílio de algum profissional.

Mas há pessoas que, como eu, cansaram das falhas nas relações patrão-empregado doméstico e estão em busca de “libertação”. Por isso, resolvi montar este artigo. Há muito o que comentar, e sinto que preciso começar explicando pq me "rebelei contra o sistema".

Aproveite para conhecer um pouco mais o curso Tarefas da Casa, onde você aprende a ganhar tempo e produtividade nas tarefas da casa.

varrer frentePara dar chance de vc ir direto ao ponto, vou dividir este post em dois. Abaixo vou contar a história de como decidi não ter mais empregada. No próximo, como fazer para dar o primeiro passo para viver sem elas. Se você cansou das minhas estórias, vá direto ao próximo artigo! Rsrsrsrs...

Como fiquei sem empregada?

Bom, eu acho super difícil estar presente. Vivo no futuro. Adoro planejar as coisas, sonhar com como as coisas serão e inclusive sofro por antecipação. É um traço controlador, na verdade. Sinto-me mais segura se acreditar que tenho controle das coisas, se as mesmas estão bem planejadas e, claro, sempre tenho plano B, C e D caso algo saia errado. Tudo ia bem, até que um dia ouvi a seguinte frase:

"Planos são excelentes para o sucesso, mas péssimos para a felicidade".

Que esquisito... desde quando sucesso não é felicidade?!?! Demorei vários meses para entender o que a frase queria dizer... e hoje entendo que para ser feliz, preciso estar presente. Preciso curtir os momentos enquanto os estou vivenciando. Não posso ter mais prazer enquanto estou planejando uma viagem do que durante a mesma.

Assim como não tem sentido a gente curtir a viagem quando vê as fotos... parece imbecil isso, mas de conversar com amigos, percebi que não era a única nesta busca pelo ajuste do tempo. Sei que parece que saí do tema, mas chegaremos lá. Confiem...

Como Estar Presente

Pois bem. Ao perceber que precisava estar presente, saí em busca de técnicas (sim, pq sou uma pessoa prática) para me ajudar a tornar-me presente. Odeio meditação. É muito calmo pra mim. Então precisava de algo mais dinâmico.

E taí uma coisa que o Sr. Google não pôde me ajudar. E sabe quem me deu uma luz? A Oprah (http://www.oprah.com). Nunca fui de assitir o programa dela, mas um dia tava de bobeira na frente da TV, zapeando os canais e me chamou a atenção a entrevistada da Oprah.

Era uma psicóloga que trabalhava com crianças e que falava da importância do caderno da gratidão. Tal caderno era um instrumento para os pais saberem o que os filhos valorizavam. A idéia era as crianças anotarem no caderno as coisas pelas quais eram gratas naquele dia. Depois todos dividiam suas anotações na mesa do jantar. Achei lindo aquilo.

caderno gratidao

O Caderno da Gratidão

E pensei: taí, vou fazer um caderno da gratidão. Não ia dividir o conteúdo com meu marido durante o jantar. Minha idéia era apenas exercitar a gratidão. Cada vez que escrevia algo no caderno, aquilo me fazia ver as coisas boas que tinha na minha vida e este calorzinho me fazia bem. E a presença? Bom, esta viria do fato de que, a cada dia, eu comemoraria as coisas boas. Sendo no mesmo dia, era quase presente, certo?!

Além disso, não tardou o efeito ampliar-se. Em algumas semanas, assim que algo legal acontecia, eu pensava:

"este vai pro caderninho"

... e o tal calorzinho já aparecia. Pronto. Tava quase imediata a minha gratidão. Me sentia presente. Ou ao menos mais presente.

O que escrever no cadernos da gratidão?

E sobre o quê eu escrevia? Tudo. Ou nada.

"Sou grata pq a Marginal estava livre".

"Sou grata hoje pq o meu marido me fez um elogio".

"Sou grata pq acertei o ponto do risoto".

"Sou grata pq não peguei fila no banco".

"Sou grata que inventaram o ar condicionado".

"Sou grata de ter colocado o pão de mel no freezer antes de comê-lo".

Enfim, coisas bobas, mas que fazem a gente feliz!! rs...

A surpresa que recebi

Eis que um belo dia, minha faxineira diarista chega em casa e começamos a conversar. Ela me contava que estava em uma nova casa e que a nova "patroa" era uma pessoa boa, "assim como eu". No meio da conversa ela solta:

"eu disse mesmo para a Dona Fulana que vc, Bel, é uma pessoa muito boa... além de doar as tuas coisas para ajudar ou outros, vc tem um caderno de gratidão onde escreve tudo pelo que é grata...".

Ãh?!?! Como é que é? Você leu o meu caderno da gratidão?! O meu caderninho 200% pessoal? O caderninho que é como o diário de uma adolescente? Gente, fiquei bege. Tão bege que nem consegui responder. Sorri e fiquei pensando naquilo por dias... sabia que não tinha maldade naquilo. Se tivesse, ela nem teria me contado com tanta naturalidade.

O que estava me incomodando, então?! O que me chateou foi entender que quando alguém vem à sua casa trabalhar, esta pessoa tem acesso a coisas muito íntimas. Passa a fazer, mesmo que você não queira, parte da sua vida. Eu via a minha diarista com muito mais frequência que as minhas amigas. A minha diarista, agora, sabia coisas sobre mim quem nem mesmo meu marido sabia (pois ele nunca leu o caderninho da gratidão). Isso não fazia nenhum sentido pra mim. Eme incomodava de verdade.

Minha vida sem empregada

Em paralelo a isso, estávamos reformando o apartamento novo para mudar. Como mudaríamos para um bairro bem longe do atual, já imaginava que teria que encontrar outra pessoa para me ajudar. Mas nem precisei, pois algum tempo depois do ocorrido, minha diarista veio me dizer que a Dona Fulana tinha oferecido para ela ficar lá com carteira assinada.

Gosto de ver as pessoas crescendo. E sabia que minha faxineira queria comprar uma casinha para sua família. Então dei a maior força. Com carteira assinada ela poderia pedir um financiamento e realizar seu sonho.

espanarBom. Eu tinha, então, duas opções:

  • procurar por outra pessoa e...
  • procurar por outra pessoa!

Rararara!!! Naquele momento não conseguia imaginar a minha vida sem empregada. Peguei alguns contatos e até a mudança combinei com a minha diarista que ela viria me ajudar aos sábados.

Neste meio tempo, fui aos Estados Unidos dar um treinamento de 2 semanas. A minha ex-chefe Marcey, que é americana, e a esta altura já era minha amiga, me sugeriu ficar hospedada na casa dela no final de semana. Mesmo sem saber, aquela era a minha chance de mudar...

Como é nos Estados Unidos - uma realidade muito diferente

Nos Estados Unidos e Europa, o custo de um empregado doméstico é muito alto. Meu irmão, que mora fora me disse que eles pagam USD 25/hora para que uma pessoa limpe a casa deles por 4hs, a cada semana. Isso significa USD 100/semana, ou USD 400/mês. O dólar a 3 reais isso seria R$ 1200,00. Se você quiser que a pessoa trabalhe 8hs, como fazemos aqui no Brasil, seria o dobro: R$ 2400,00. Salgado, né?!

Por conta disso, pessoas de classe média não costumam ter auxiliares domésticos, fazendo tudo sozinhas. Me apercebi disso uma vez que assistia o Super Nanny e o episódio trazia uma mulher que tinha 7 filhos. Isso mesmo, 7 filhos, e cuidava sozinha da casa. Se ela consegue, eu também poderia conseguir...

A casa da Marcey

Ao chegar na casa da Marcey, contei toda esta longa história para ela e pedi coaching. Queria que ela me mostrasse como cuidava de sua casa. Ela me explicou que tinha uma rotina, separava as atividades por dia e que contava com o apoio do marido (não era, assim, uma Brastemp, mas ele ao menos limpava a banheira!! rsrsrsrs... ). Vi que era super possível trazer aquilo para a minha vida, mas tive que descontar algumas variáveis:

  1. Como há demanda, a indústria americana é bem mais desenvolvida em relação à tecnologia para casa e faça você mesmo. Não só há produtos e equipamentos diferenciados que não chegaram no Brasil, mas o que existe aqui e lá, é cerca de 50% mais barato para eles;
  2. Na cidade em que a Marcey mora, não há trânsito como temos aqui nas cidades grandes. Portanto, as pessoas vão e vêm do trabalho em 15 minutos. Considerando que americanos têm por hábito comer na frente do computador para sair mais cedo (fazem horário das 9 às 17hs), às 17h15 estão em casa;
  3. Não olhei mínimos detalhes sobre a limpeza da casa (conheça nosso curso). Achei tudo bonito, limpo e organizado. Mas sei que o conceito de limpeza brasileira- limpar rejunte de azulejo com cotonete e limpar o piso como se fosse comer sobre ele - é bem mais exigente que o europeu ou americano (até porque temos pessoas que pagamos para cuidar disso).

De qq forma, voltei entusiasmada e alguns dias depois a Marcey me mandou o link da Fly Lady (http://flylady.net) e isso, de fato, mudou a minha vida! rsrsrsrs...Vamos falar da Fly Lady no futuro, por hora, basta saber que ela é a guru americana das donas de casa.

Marcey no Brasil

Uns 15 dias depois, a Marcey veio ao Brasil e decidi levá-la ao meu apartamento, que estava em obras. Ao explicar as alterações que eu estava fazendo na planta, mostrei pra ela o quarto e banheiro de empregada. Ela ficou parada olhando pro quarto e perguntou:

"A empregada mora com vocês?".

E eu: "comigo não, mas há pessoas que contratam empregados que dormem em casa".

E ela: "mas como funciona? qdo a familia vai ver TV, a empregada vai junto?".

Eu: "não Marcey, é um empregado, não é parte da familia".

E a Marcey: "puxa, mas então a pessoa fica de umas oito da noite até a amanhã seguinte sozinha neste quartinho? Vocês ao menos colocam uma TV no quarto?".

Rararara!!! Ela tava quase ligando numa ONG de proteção dos direitos humanos... daí, na volta, estávamos no carro e ela disse:

"Vocês fazem tudo isso, aceitam um estranho dentro de casa, somente para não limpar o próprio banheiro?"

Confesso que parei pra pensar... 

Limpando o próprio banheiro

varrerClaro que não decidi tentar ficar sem empregada por causa da Marcey. A idéia já tinha aparecido. Mas esta última frase foi bem forte pra mim. Achei que, se estava me incomodando ter um estranho dentro de casa xeretando as minhas coisinhas, deveria tentar limpar o meu próprio banheiro para ver se a troca valia a pena... mas eu precisava de ajuda. Afinal, não tinha tempo, nem disposição para aquilo.

Vamos, então discutir o passo a passo da (minha) vida sem empregada no próximo artigo...

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